De volta à cova dos leões ou no paraíso também tem coisas ruins?
Recém-chegada à vida de solteira, nossa colunista, Dandara Pagu, traz notícias do front

Voltar a ser solteira depois de um relacionamento longo é uma mistura de liberdade e susto. Ao mesmo tempo em que você pode fazer o que quiser, com quem quiser, na hora que quiser, também bate aquele “e agora?” diante de um mundo que mudou enquanto você estava ocupada dividindo o edredom com alguém. Os aplicativos parecem uma feira livre de egos e expectativas, e os primeiros dates são um misto de entrevista de emprego com roteiro de comédia romântica de baixo orçamento.
Ser solteira não é ruim. O ruim é o que aparece
Mas tem seus momentos divertidos. Esses dias conheci um cara de 40 anos que mora com os pais e estava fazendo “quarentena da quaresma” porque a mãe dele pediu. Eu achei que estava saindo com ele, mas percebi que talvez estivesse num relacionamento triplo. Tem também o clássico “ué, você mora sozinha?”, seguido de um sorriso safado como quem diz “oba, motel grátis”. Não, meu filho, aqui é lar, não é suíte temática.
Amizades precisam ser inteiras, mas talvez não pra vida inteira

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Ainda assim, tem seus confortos. Sempre tem aquele contato antigo que você sabe que basta ligar e ele aparece. Ter essa carta na manga, é sempre bom, fica a dica — mesmo que a carta seja meio amassada, cheia de manias estranhas e que goste de dar mais explicação do que prazer. A gente finge que não liga, ri sozinha depois, e segue o baile.
Ser solteira não é ruim. O ruim é o que aparece. O bom é rir disso tudo com as amigas, voltar pra casa em paz, tomar banho sem precisar dividir toalha e lembrar que, às vezes, a gente sai da jaula, mas leva um tempo pra reaprender a morder.





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