O corpo feminino como ato político e de celebração à própria liberdade no Carnaval
Em ritmo de folia, nossa colunista Dandara Pagu reflete sobre a importância de subverter a forma como a nudez feminina é encarada na sociedade patriarcal, mesmo que seja durante um cortejo

"Carnaval é a maior e mais forte manifestação que eu vivo desde criança", declara Dandara. Nossa colunista cresceu em Pernambuco rodeada pela força coletiva e política da festa. Isso a motivou, inclusive, a criar seu próprio bloco, o Vaca Profana, em que as mulheres saem de peito de fora em uma celebração ao próprio corpo, um grito de liberdade.
https://youtu.be/ja1cSyDVbrI
Ela conta como tudo surgiu. "Teve um ano que me fantasiei de vaca profana em homenagem à música que Caetano fez pra Gal, com uma hot pants de vaca, o peito coberto de glitter e uma máscara. Um policial foi violento comigo porque eu estava sem camisa, queria me prender". A situação ocorrida nas ruas de Olinda deu um click em sua cabeça. "Ali percebi o quanto a mulher não tem domínio sobre o próprio corpo. Se ela quer mostrar, é desrespeitada, pode ser violentada. Mas se a sociedade, o patriarcado, o homem em si quer mostrar para vender um produto ou ser objeto, aí pode".
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Acostumada a usar as violências que enfrenta e transformá-las em algo menos doloroso, Dandara decidiu transformar esse episódio em um bloco. "No ano seguinte, saíram 7 meninas, depois cem, hoje em dia saem mais de 5 mil mulheres sem blusa. É um momento onde a gente usa o corpo como ato político e consegue se libertar por algumas horinhas dos julgamentos estéticos, sociais, patriarcais de um modo geral."
Quer participar? Vai ter cortejo e baile em São Paulo no próximo dia 11. Em Olinda, o Vaca Profana sai dia 20, no Carnaval. Mais detalhes na página do bloco.





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